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Laboratório da Secretaria da Agricultura celebra 70 anos de pesquisa com inoculantes

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A cultura da soja responde atualmente por grande parte do setor agrícola do Rio Grande do Sul. O Estado é o segundo maior produtor do grão no Brasil, com mais de 19 milhões de toneladas anuais, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) relativos a 2019. Para chegar a este nível de produtividade, foi preciso uma longa história de pesquisa e desenvolvimento que, em 2020, celebra 70 anos: o início das linhas de pesquisa em inoculantes no Estado, em 1950.


primeiro lote de inoculantes 1950
Primeiro lote de inoculantes produzidos em 1950
Foto: Arquivo Seapdr

Inoculantes são produtos que contém bactérias denominadas rizóbios, que se associam à raiz da planta e realizam a fixação biológica de nitrogênio, dispensando o uso de fertilizantes. Em 1950, a antiga Seção de Microbiologia Agrícola (Semia), da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, iniciou a pesquisa para a seleção de estirpes destes rizóbios e a produção de inoculantes, principalmente para soja, a fim de atender à demanda motivada pelo início da expansão da cultura no Estado. As pesquisas também contemplaram outras leguminosas de clima temperado, como alfafa, trevos, comichão e ervilha.

“O Departamento de Pesquisas da Secretaria da Agricultura sempre foi um importante braço para ajudar a garantir a qualidade da produção agrícola no Estado, trazendo reconhecimento para os nossos pesquisadores e segurança para os produtores gaúchos”, destaca o secretário Covatti Filho.

Anelise Beneduzi e Jackson Brilhante

Anelise Beneduzi e Jackson Brilhante trabalham no Laboratório de Microbiologia Agrícola
Foto: Fernando Dias/Ascom Seapdr

O responsável técnico do Laboratório de Microbiologia Agrícola, Jackson Brilhante, conta que os estudos eram coordenados pelo professor João Rui Jardim Freire, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que começou sua carreira profissional na Seção de Bacteriologia da Secretaria Estadual da Agricultura.


primeiro inoculante produzido no brasil em turfa 1954
Em 1954, laboratório foi responsável pelo primeiro inoculante produzido em turfa no Brasil
Foto: Arquivo Seapdr

“Ele coletou, pesquisou e catalogou as principais cepas (variedades das bactérias) de rizóbios do Brasil. Uma dessas cepas foi a Semia 587, obtida em uma planta de soja na região de Santa Rosa. Paralelamente houve um excelente trabalho de divulgação, com cursos de treinamento na área e publicação de artigos em jornais da época. Era um trabalho de formiguinha mesmo”, detalha. O laboratório era instalado na antiga sede da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) que, em 2017, se transformou no Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr).

O “trabalho de formiguinha” apresentou resultados duradouros: se a produtividade média da soja no Brasil, entre 1971 e 1975, girava em torno de 1,5 mil quilos por hectare, hoje em dia, com a crescente popularização do uso de inoculantes, está em 3,3 mil quilos por hectare, de acordo com a Embrapa. “A técnica de inoculação contribui com praticamente todo nitrogênio que a soja necessita, além de proporcionar valores entre 20 e 30 quilos por hectare de nitrogênio para a cultura de sucessão”, destaca Brilhante.

O Laboratório de Microbiologia Agrícola da Seapdr é referência nacional na área de inoculantes, sendo o laboratório pioneiro do Brasil credenciado pelo Ministério da Agricultura para encaminhar as estirpes para a indústria de inoculantes. Ele mantém uma coleção com aproximadamente mil estirpes, para cerca de 200 plantas leguminosas de importância agrícola, a Coleção Semia de Rizóbios.

Vantagens econômicas e ecológicas

A pesquisadora Anelise Beneduzi, curadora da coleção Semia e responsável pelas linhas de pesquisa desenvolvidas na área, destaca que os inoculantes, além de realizarem o mesmo trabalho dos fertilizantes químicos, são mais acessíveis economicamente. Isto representa uma economia de R$ 12 bilhões ao ano para o país, acrescentando de 4% a 15% no rendimento da soja. O Brasil atualmente é um dos principais produtores mundiais de soja graças aos inoculantes. “O uso de inoculantes também é ecologicamente mais amigável: não gera resíduos e nem lixiviados, como os fertilizantes nitrogenados, que são uma grande fonte poluidora”, acrescenta.

Embora tenha seu uso consolidado na cultura da soja, os inoculantes podem atuar em outras leguminosas. Além de continuar seu trabalho na área da soja, outro desafio que se apresenta para o Laboratório de Microbiologia Agrícola é ampliar a utilização de inoculantes em outros tipos de cultura. “Nosso objetivo é buscar novas bactérias para que os produtores rurais possam utilizá-las nos diversos sistemas de produção agrícola e florestal em vez dos fertilizantes nitrogenados”, diz Anelise.

Algumas das espécies investigadas atualmente são o feijão e a produção de mudas florestais, como a acácia-negra. A ideia principal é substituir, total ou parcialmente, fertilizantes químicos em outras culturas, contribuindo para a expansão de um tipo de produção mais sustentável.

Texto: Elaine Pinto/Ascom Seapdr
Edição: Secom



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